Como passar na OAB? Esclareceremos essa e outras duvidas suas, e da maior parte dos bacharéis em direito brasileiros, por ser este o grande desafio.

A maior satisfação que um professor pode ter é saber que seus alunos conseguiram conquistar seus objetivos na vida e alcançaram a plena realização profissional. Poder contribuir para que alguém obtenha sucesso em sua carreira é verdadeiramente o grande prêmio daquele que dedica sua vida ao ensino.

Infelizmente, porém, uma parcela significativa de bacharéis em direito não conseguem obter aquilo que tanto sonharam: passarem no exame da OAB e serem advogados. A pergunta que levanto é: por que isso acontece?

Particularmente, acredito que, para muitas dessas pessoas, o maior obstáculo está nelas mesmas.

Há alunos que não fazem o curso de direito com a finalidade de exercerem a profissão, mas com outros objetivos. Desses, obviamente, não há o que esperar.

A maioria dos estudantes de direito, porém, gostaria de exercer uma profissão na área jurídica. Entretanto, para poderem fazer isso, dependem da aprovação em exames, provas e concursos.

Conheço algumas pessoas que chegam a esconder de seus amigos que estudaram direito, pois, por não terem conseguido passar no exame da OAB, evitam revelar que são bacharéis, com receio de que isso comprove que não tiveram capacidade suficiente. Alguns desistem e se conformam. Outros continuam eternamente prestando o exame, sendo reprovados vez após vez.

Como examinador da Ordem dos Advogados do Brasil já por muitos anos, aplicando e corrigindo as provas, nunca me esquecerei de uma ocasião em que, ao final de um exame, uma candidata começou a chorar compulsivamente. Preocupado, me aproximei para verificar o que estava acontecendo. Foi quando ela me contou que já prestava o exame pela 13ª vez.

Aquele episódio me fez sentir a frustração daquela candidata, mas também a minha própria, ao lembrar que alguns de meus alunos também não conseguiram ser aprovados.

Desde aquele momento, tenho me perguntado constantemente qual é o principal problema dessas pessoas. Por que não conseguem ser aprovadas? O que é possível fazer para reverter essa situação?

Sinceramente, não acredito que seja uma questão de falta de capacidade intelectual. No caso daquela candidata, ficou claro, para mim, que sua maior dificuldade era conseguir enfrentar seu nervosismo. Ela já se via como derrotada antes mesmo de começar a fazer a prova. Acreditando nisso, ela simplesmente fazia acontecer.

Para muitas pessoas, o grande problema é a falta de preparação adequada. Fazem a prova por fazer. Só tomam a dianteira em tentar prestar o exame mais uma vez, mas não se preocupam em se preparar antes, de forma adequada.

De nada adiante prestar um exame após o outro, se o candidato continua cometendo os mesmos erros e não toma as providências necessárias para corrigir a si próprio. O resultado final só poderá ser mais uma reprovação.

Minha sugestão é de que imprimam a prova e tentem realizá-la, como se fosse um exame de verdade, dedicando a isso o mesmo tempo concedido pela OAB. Depois, que façam a correção e verifiquem onde reside sua maior dificuldade. Constatados aqueles pontos que precisam de maior atenção, os alunos devem estudar a doutrina, procurando sanar suas dúvidas e entender por que erraram uma determinada questão. Passados alguns dias, devem tentar fazer a prova novamente. Com certeza, conseguirão acertar mais questões. Mas, se necessário, devem repetir todo o procedimento de estudo e fazer a prova de novo, até o resultado ser satisfatório. Fazendo isso em casa, com várias provas, sem a pressão que existe no dia do exame, o candidato vai se acostumando com o tipo de avaliação. No dia em que for prestar o exame novamente, irá acreditando que pode passar, pois sabe que já conseguiu acertar as questões das provas anteriores. E concentrará todo seu esforço e capacidade para atingir seu objetivo. É cansativo? Sem dúvida. Mas vale a pena!

Gostaria de salientar, ademais, que o exame da OAB não deve ser objeto de preocupação apenas dos bacharéis, mas também do estudante de direito. Ou seja, enquanto a pessoa está cursando a universidade, deverá ir se preparando para o exame.

Infelizmente, sei que muitos alunos não fazem isso. É como se pensassem: “primeiro vou terminar a faculdade, depois começo a estudar para a OAB”. Há, por óbvio, um grande equívoco nessa forma de pensar.

O curso de direito é o momento ideal para se estudar para a OAB. Se o candidato for se preparando aos poucos, fazendo a prova em casa e treinando desde o começo da faculdade, será muito mais fácil ser aprovado.

Não podemos nos esquecer, ademais, que atualmente é permitido aos alunos do último ano do curso (9.º e 10.º semestres) prestar o exame. Sem dúvida, esse é um grande momento e sua chance de serem aprovados é alta, desde que tenham se preparado previamente.

Por isso, se você é um estudante de direito, reflita seriamente sobre o que realmente deseja para sua vida. Quer ficar prestando o exame, vez após vez, sentindo-se frustrado e derrotado? Ou realmente quer ser aprovado, se possível, na primeira vez? Se este for o seu desejo, faça-o acontecer!

Aproveite bem as aulas na faculdade. Participe delas. Esclareça suas dúvidas com o professor. Não deixe para depois.

É triste saber que alguns excelentes professores, que lecionam tanto nos cursos de graduação quanto em cursinhos preparatórios, são encarados de modo tão diferenciado nessas duas situações, embora a aula seja praticamente a mesma. São adorados nos cursinhos, mas odiados na faculdade. Como isso pode acontecer, quando ministram o mesmíssimo conteúdo, e de maneira idêntica?

Indubitavelmente, o problema, nesses casos, é do aluno, e não do professor. O professor do cursinho é amado porque seu aluno o enxerga como um aliado e ajudador. O professor da faculdade é odiado quando é visto como alguém que cobra, que marca faltas, que dá notas baixas.

É lamentável, mas alguns alunos não conseguem perceber que o professor só está cumprindo seu papel, em tentar ajudar o aluno a se preparar para o futuro. Desprezam o professor na faculdade, e depois pagam cursinhos para ter a aula novamente, às vezes com esse mesmo professor. Trata-se, data venia, de uma atitude pouco inteligente.

De fato, não gostamos de fazer provas, nem de ser avaliados. Muito menos nos agrada saber que podemos ser reprovados numa matéria na faculdade. Mas também não gostamos de exames e concursos. No entanto, se percebermos que as provas constituem a grande chance que temos na vida de alcançar nossos objetivos, estaremos decididos a nos treinar continuamente, mudando nosso foco e aproveitando melhor cada oportunidade.

Se você já concluiu o curso, mas, lamentavelmente, percebeu que não se preparou adequadamente durante ele, também não fique parado. E nem pense em ficar prestando o exame sem fazer um treinamento antecipado, pois isso só lhe causará maior frustração. Prepare-se. Acredite em você. E então faça o exame, sabendo que tem chance real de ser aprovado.

Se possível, retorne à universidade onde estudou. Procure os professores. Peça conselhos. Verifique o que está disponível. É possível assistir a algumas aulas? Consultar livros na biblioteca? Esclarecer dúvidas com os professores ou colegas? Faça isso!

Por fim, na hora do exame, não minimize a importância de realizar uma prova de modo ordeiro.

Após já ter corrigido milhares de provas na OAB, como examinador, pude perceber um enorme problema que faz com que muitos sejam reprovados. Uma grande parte dos candidatos é reprovada não porque não saiba direito, mas porque não sabe se expressar direito.

Quando você está respondendo uma questão, lembre-se que não está escrevendo para você mesmo ler. Está redigindo para que outra pessoa, que nem o conhece, compreenda facilmente sua resposta e perceba que você tem condições de exercer a advocacia. Logo, escreva com esmero, com boa caligrafia, de forma clara e sem erros gramaticais. Uma prova bem redigida faz uma diferença fundamental, e pode significar aprovação ou reprovação. Acredite nisso.

Prepare-se bem e jamais desanime!

Só não chega a alcançar seus sonhos aquele que desiste antes.

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